16NOV2016

"Aspetos da Valorização Cultural do Centro Histórico de Tavira" por João Pedro Rodrigues (Vereador da Câmara Municipal de Tavira) XVI Encontro Nacional dos Municípios com Centro Histórico (Angra do Heroísmo, 2017)

"Aspetos da Valorização Cultural do Centro Histórico de Tavira" por João Pedro Rodrigues (Vereador da Câmara Municipal de Tavira)  XVI Encontro Nacional dos Municípios com Centro Histórico (Angra do Heroísmo, 2017)

Aspetos da Valorização e Dinamização Cultural do Centro Histórico de Tavira

·       Sr Presidente da APMCH

·       Srs. Presidentes de Camâra Municipal, Srs. Vereadores e demais autarcas presentes

·       Todos Técnicos presentes (engenheiros, arquitetos e demais técnicos, municipais ou não)

·       Minhas senhoras e meus senhores,

É um prazer enorme estar aqui no 16.º Encontro Nacional de Municípios com Centro Histórico, em Angra do Heroísmo, e poder partilhar convosco a forma como cuidamos e vivemos em Tavira o nosso Centro Histórico que tem milhares de anos e foi habitado por diversos povos.

A minha apresentação é composta por 3 partes:

1.     Breve Caracterização do Centro Histórico de Tavira

2.     Eixos e estratégias de valorização do Centro Histórico

3.     Aspetos da vivência e dinamização cultural no Centro Histórico

Quem hoje visitar Tavira constata que esta continua a ser das cidades algarvias que mais interesse oferece aos visitantes, sobretudo devido à atratividade do seu centro histórico.

De facto, a História cumpriu bem o seu papel, assaz generoso, para com a cidade. Legou-lhe um passado urbano assinalável, preenchido com importantes vestígios das mais distintas épocas.

Local de cruzamento de diversos povos e culturas, Tavira foi conquistada pela Ordem de Santiago, em 1242, e elevada a cidade em 1520. De perfil mediterrânico, com cerca de 15.000 habitantes, é atravessada pelo rio Gilão, cuja foz se une ao oceano a poucos quilómetros.

A cidade ganhou peso e influência no reino de Portugal, tendo uma importância fulcral para os sucessos da expansão portuguesa para o Norte de África nos séculos 15 e 16. Deste modo, viu crescer a relevância do seu porto, bem como o seu prestígio político, religioso e económico, permitindo desenvolver uma notável atividade construtiva e artística.

Esta realidade marcou a morfologia urbana e a paisagem da cidade. E, apesar de algumas catástrofes, como os terramotos, a herança patrimonial tem sobrevivido, sendo Tavira, hoje, marcada pela qualidade dos seus espaços urbanos e por um conjunto de imóveis e vestígios ilustrando várias épocas e estilos artísticos.

De origem fenícia, esta é a cidade cujo centro histórico, com 66 hectares, assenta essencialmente em três grandes núcleos:

-    Um polo mais antigo, medieval, definido pelo perímetro muralhado e pelos seus acrescentos naturais, como a mouraria;

·       Uma área de desenvolvimento quinhentista, caracterizada pela sua malha regular orientada pelo rio Gilão;

·       E pelo arrabalde da margem esquerda, que se transforma a partir do século 16 em função dos eixos viários ou polos conventuais que funcionam como elementos aglutinadores.

Importa destacar, precisamente, o notável conjunto de arquitetura religiosa que a cidade possui.

Entre capelas, igrejas e antigos conventos, contam-se atualmente vinte e um edifícios religiosos situados no centro histórico, revelando uma elevada e inusitada densidade de património religioso.

É de realçar a riqueza artística acumulada ao longo de séculos nestas igrejas, a pluralidade de épocas e estilos que nelas se encontram, permitindo todo um percurso sugestivo da arte portuguesa e das suas cambiantes estilísticas.

Por outro lado, a preocupação com a segurança da comunidade justificou a construção de interessantes monumentos militares.

Alguns destes são marcos de identidade na definição do traçado urbano, casos da muralha fenícia e do castelo medieval.

Outros constituem interessantes equipamentos de apoio, nomeadamente, o antigo hospital militar e o imponente Quartel da Atalaia, datado de 1795, sendo ainda de destacar um dos mais distintivos símbolos de Tavira: a ponte antiga sobre o Gilão, reconstruída em 1657 segundo modelos da arquitetura militar.

Grande parte dos edifícios do tecido urbano remonta aos séculos 17, 18 e 19, mantendo-se em boa medida uma imagem consistente do passado.

São inúmeras as qualidades destes edifícios plenos de carácter e valor identitário.

Assinale-se a tendência para uma escala humana (de 2 ou 3 pisos), a composição simples mas aberta a novidades e a valores eruditos, e ainda uma notória preocupação pela decoração dos vãos, platibandas e chaminés – características dominantes da arquitetura regional.

Assinalem-se ainda dois elementos de reconhecido destaque na arquitetura de Tavira:

·    -    os tradicionais “telhados de tesoura”, coberturas de quatro águas, francamente inclinadas e presentes na cidade desde o século 16;

      -   e as tradicionais portas e janelas de reixa, em madeira, traduzindo uma preocupação pela ventilação e defesa da intimidade da habitação.

Em Tavira parece ter havido uma maior utilização das reixas relativamente a outras localidades algarvias, razão pela qual são assumidas como marcos culturais da cidade.

Como no resto do país, a cidade também não ficou alheia à renovação das formas tradicionais durante os séculos 19 e 20, sendo marcada por soluções arquitetónicas dentro do Romantismo, da “Arte Nova”, da “Casa Portuguesa” e do modernismo, destacando-se as obras de alguns distintos arquitetos como Raul Lino e Manuel Gomes da Costa.

Independentemente da maior ou menor antiguidade dos edifícios vem sempre à tona um passado histórico e arquitetónico de qualidade, que confere à cidade uma personalidade distinta no panorama urbanístico português e um excecional campo de estudos.

A consciência clara destes valores culturais é cada vez mais notória.

Nos últimos anos a cidade tem vindo a tornar-se um conhecido destino de turismo cultural, facto que se deve em grande parte à dinâmica do estudo, da preservação e da dinamização cultural dos seus elementos patrimoniais.

Elenco em seguida alguns eixos estratégicos que, no caso de Tavira, considero terem sido relevantes ao longo dos últimos anos para a afirmação do valor do seu centro histórico, designadamente:

Eixo 1 - A compreensão do património da cidade

É de assinalar a importância que a Arqueologia assume nas duas últimas décadas, com destaque para a atividade dos arqueólogos da associação “Campo Arqueológico de Tavira” e, posteriormente, do Serviço Municipal de Arqueologia, Conservação e Restauro, criado em 2001.

A atividade destas equipas acompanhou o crescente volume de intervenções na cidade e permitiu aportar uma série de conhecimentos sobre a sua história mais remota, bem como trazer à luz do dia estruturas e objetos tão paradigmáticos como:

·       um troço de muralha fenícia (do séc. 7º - 8º A.C.);

·       um bairro muçulmano de época almóada;

·       ou o famoso Vaso de Tavira, do século 11, peça que tem vindo a marcar presença em importantes exposições internacionais sobre o passado islâmico, em Paris (no Museu do Louvre), em Valência ou em Rabat (Marrocos).

Todo o acervo de peças recolhidas nos vários contextos arqueológicos espalhados pela cidade podem hoje ser apreciados, maioritariamente, in situ, com o apoio de suportes museológicos.

A mesma importância é atribuída, por isso, à atividade do Museu Municipal, fundado em 2001, que integra a Rede Portuguesa de Museus. É um museu de território, polinucleado e multitemático, no qual a história e património de Tavira se têm revelado sob inéditas e enriquecedoras perspetivas.

A consciência cada vez mais clara, por parte da comunidade, do valor histórico da cidade é um fator que sensibiliza e promove o acolhimento de iniciativas para a salvaguarda da sua herança patrimonial.

Eixo 2 - Recuperação de imóveis notáveis

Ao longo dos últimos anos, a administração autárquica tem feito um enorme esforço na valorização e recuperação de imóveis notáveis, quer garantindo a sua proteção legal, através da abertura de processos de classificação, quer investindo diretamente na sua reabilitação.

Salientamos o conjunto muito significativo de intervenções de reabilitação do património arquitetónico, de que se destacam:

·       O Palácio da Galeria (convertido em Museu Municipal);

·       A ermida de Santa Ana;

·       O antigo convento de Nossa Senhora da Graça (adaptado a Pousada Histórica);

·       A ermida de São Sebastião;

·       A igreja de São Pedro Gonçalves Telmo;

·       A igreja de São Roque (recentemente recuperada e onde funcionou durante anos armazéns municipais);

·       A antiga Cadeia Civil (convertida em Biblioteca Municipal);

·       O edifício Cabreira (atual Arquivo Municipal);

·       O Mercado da Ribeira;

·       O edifício do núcleo islâmico do Museu de Tavira.

No caso do património religioso, muitas destas intervenções ocasionaram, também, a realização de obras de conservação e restauro do património móvel e integrado.

Eixo 3 - Recuperação de imóveis particulares

Esta dinâmica de revitalização patrimonial tem-se estendido também a um número significativo de imóveis particulares, beneficiando estes dos incentivos que resultam da aprovação, em 2014, da Estratégia de Reabilitação Urbana do Município.

Eixo 4 - Requalificação urbana

Refira-se também as obras de requalificação urbana que têm vindo a ser executadas, tendo como horizonte a dignificação e valorização do espaço público. São intervenções que se definem pela melhoria das condições de acesso aos monumentos, pela reorganização da frente ribeirinha, alargamento de passeios, criação de bolsas de estacionamento, bem como pela introdução de novo mobiliário urbano, de iluminação pública e pavimentação, respeitando as preexistências do local, numa perspetiva integrada de intervenção. São exemplos:

·       A Rua da Liberdade;

·       A Praça da Republica;

·       A Frente Ribeirinha;

·       A Rua José Pires Padinha;

·       E a Rua João Vaz Corte Real.

Eixo 5 - Cooperação no âmbito da cultura

A administração municipal tem vindo também a aprofundar as relações de cooperação com associações interessadas na valorização do património e no desenvolvimento cultural. Com o apoio do município, foram várias as associações culturais da cidade que se fixaram no centro histórico, contribuindo para a revitalização do mesmo através de diversas atividades culturais.

São exemplos:

·       A Casa Álvaro de Campos, associação cultural que promove a obra de Fernando Pessoa, nomeadamente a obra deste seu heterónimo que o poeta fez nascer em Tavira;

·       A associação “Fado com História”, que promove diariamente o fado, também ele reconhecido pela UNESCO como património da humanidade;

·       A ASTA, associação de artesãos locais;

·       A NAFA, associação de fotógrafos amadores do Algarve.

Eixo 6 - Inscrição da Dieta Mediterrânica na lista do Património Imaterial da UNESCO.

O perfil mediterrânico e a forte componente histórica de Tavira estão entre o conjunto de valores que sustenta, e a que está associado, um património imaterial de reconhecida valia: a Dieta Mediterrânica.

Tal contribuiu para que Tavira fosse escolhida como cidade representante de Portugal na candidatura da Dieta Mediterrânica a Património Imaterial da UNESCO, aprovada em 4 de dezembro de 2013, em Baku, no Azerbaijão.

A aprovação desta candidatura transnacional (Portugal, Espanha, Itália, Croácia, Chipre e Marrocos) significou o reconhecimento da Dieta Mediterrânica enquanto estilo de vida associado a tradições e rituais de produção, confeção e partilha de alimentos.

Para Tavira, enquanto comunidade representativa, esta classificação constitui também o reconhecimento dos seus valores, conferindo-lhe responsabilidades no âmbito da salvaguarda das heranças culturais e patrimoniais.

A articulação dos fatores descritos, aliado às reflexões e estratégias de desenvolvimento cultural que a autarquia vem prosseguindo, geraram ótimas condições para promover a atratividade do centro histórico e a sua acessibilidade, tornando-o hoje um local privilegiado de fruição, dinamização e celebração dos valores culturais inerentes à cidade.

O resultado da recuperação do património fez com que o centro histórico disponha atualmente de espaços e equipamentos culturais de expressiva relevância comunitária e turística.

A partir desta base desenvolvem-se estratégias destinadas a potenciar os valores culturais, socioeconómicos da área urbana, de modo a elevar a qualidade de vida dos residentes e dos que nos visitam.

Por detrás de um conjunto amplo de iniciativas está o interesse na concretização de programas ao longo de todo o ano, que promovam a cultura portuguesa, popular ou erudita, mas sempre com abertura à diversidade cultural do mundo.

Passemos, pois, em revista, alguns dos aspetos da vivência e dinamização cultural do centro histórico de Tavira:

Natal, Passagem de ano, Carnaval e Páscoa são celebrações comuns do calendário festivo das cidades portuguesas.

Em Tavira o Natal é preenchido por concertos de gospel ou canto coral nas igrejas e ermidas da cidade, e na última noite do ano, a Praça da República é palco de concertos, fogo-de-artifício e muita animação. A comemoração da entrada de mais um ano é também assinalado com as Charolas (ou cantares ao Menino), cujo festival realiza-se no primeiro domingo de cada ano.

O carnaval é assinalado pelo desfile infantil pelas ruas do centro histórico e pelos bailes de máscaras no histórico edifício do Mercado da Ribeira.

A Semana Santa é marcada pela realização de várias procissões e comemorações católicas.

Também a música faz parte da programação da Páscoa e proporciona aos tavirenses e visitantes concertos de reportório pascal.

Programa “Viva a Primavera” – promovido pela autarquia e associações culturais do concelho, visa estimular e valorizar a criatividade da comunidade. Decorre de março a junho, apostando na diversidade de protagonistas e disciplinas artísticas como a música, teatro, dança, artes visuais, património material e imaterial, gastronomia e festividades cíclicas.

Tem como ponto alto as comemorações do dia da cidade, no mês de junho, com o tradicional arraial de São João, a encenação teatral da “Moura Encantada” no Castelo de Tavira e um espetáculo de fogo-de-artifício.

Quero agora partilhar convosco um vídeo sobre a comemoração do São João e do Dia da Cidade, que este ano contou com um concerto do Miguel Araujo.

Verão em Tavira – programa cultural promovido pela Câmara Municipal nos meses de verão, com a parceria de diversas instituições públicas e privadas, onde se propõe uma programação abrangente, valorizando a cultura portuguesa e o património cultural universal, através de:

·       Teatro, com o conhecido Festival “Cenas na Rua”;

·       Música, com o programa “Jazz no Palácio” e com diversos concertos noutros espaços da cidade;

·       Cinema, através das Mostras de Cinema Europeu e Não Europeu no claustro do convento Carmo;

·       E ainda da dança, das artes visuais, literatura, folclore, desporto e feiras temáticas.

Convoca à descoberta de espaços urbanos e dos monumentos através das artes, contando com uma programação intensa e diversa, recheada de acontecimentos para públicos de todas as idades.

Feira da Dieta Mediterrânica – iniciativa incluída no Plano de Salvaguarda da Dieta Mediterrânica enquanto Património Imaterial da Humanidade, ocorre no início de setembro e tem como objetivo valorizar e divulgar os produtos e as atividades da Dieta Mediterrânica, bem como as culturas relacionadas com o estilo de vida mediterrânico.

Envolve a comunidade, instituições públicas, associações e empresas e o seu programa engloba diversas atividades, como um “mercado dos produtores”, colóquios, oficinas de gastronomia, música, exposições e atividades físicas.

Semana da Juventude – também promovida pelo município, visa divulgar o trabalho desenvolvido pelos jovens bem como das associações e instituições com trabalho na área da juventude, fomentando a participação juvenil.

A programação inclui atividades desportivas, concertos, ações de sensibilização, destacando-se a Feira da Juventude no Jardim do Coreto e Praça da República, constituindo uma mostra de projetos desenvolvidos por várias entidades com trabalho na área da juventude.

A par destes programas de caráter anual que dinamizam a vivência do centro histórico de Tavira, trazendo milhares de pessoas para as suas ruas, saliento ainda algumas iniciativas relevantes no âmbito da fruição do património da cidade e da transmissão de conhecimentos a seu respeito, designadamente:

·       Programa Municipal “Tavira Férias Ativas” – projeto que resulta da parceria entre a Câmara e as instituições religiosas locais, tendo como objetivo proporcionar a abertura e a fruição cultural de várias igrejas da cidade, nos meses de verão, através do aproveitamento dos tempos livres dos jovens.

·       Projeto “Música nas Igrejas” – programa que decorre ao longo do ano, aos fins-de-semana, e permite a apresentação de concertos com um repertório clássico, a cargo de músicos convidados e de professores da Academia de Música de Tavira, a quem cabe a direção artística.

·       Ciclo “Passeios na História de Tavira” – programa mensal de visitas ao património local, organizado pelo Museu Municipal, e destina-se ao público em geral, tendo como finalidade dar a conhecer o passado da cidade, a paisagem urbana, os monumentos e as personagens históricas, bem como sensibilizar a população para a necessidade de proteger a herança patrimonial.

·       Ciclo “Dieta Mediterrânica Todo o Ano” – também organizado pelo Museu Municipal, é um programa de atividades de salvaguarda da “Dieta Mediterrânica” que integra passeios de interpretação do território e demonstrações e oficinas em torno dos saberes e sabores mediterrânicos. As atividades contam com a colaboração dos habitantes e instituições locais, articulando o saber empírico e o saber científico.

Uma última referência, também, às iniciativas destinadas a promover a atividade física junto da comunidade. Destacamos, neste âmbito, as provas de BTT “Tavira Bike Race” e “Algarve Bike Challenge” que se desenrolam em março e junho pelas ruas e imediações do centro histórico, assim como a “Meia Maratona de Tavira”, prova de atletismo que tem lugar em novembro. Isto para além da programação regular de marchas organizadas e que têm como ponto de partida a Praça da República, no coração do centro histórico, por vezes associadas à fruição patrimonial, como no caso do percurso das igrejas.

Parece-nos importante concluir que um centro histórico reabilitado e uma paisagem urbana de qualidade, dinamizada em termos culturais, é um fator de desenvolvimento local e um formidável atrativo turístico.

A cidade será mais próspera se usar o seu valor e estatuto patrimonial para fortalecer a comunidade local. Nesse sentido, cabe a todos um papel importante nessa missão: assegurar que os aspetos culturais e patrimoniais da cidade sejam compreendidos, protegidos e sustentados.

Para terminar, e sem ainda tiver algum tempo, quero partilhar convosco outro vídeo, reportagem efetuada sobre a 4ª edição da Feira da Dieta Mediterrânica, este ano de 2016.

Obrigado a todos.

Fica aqui o convite para visitarem Tavira, em qualquer altura do ano.